E essa tal de adaptação, hein?

fevereiro 22, 2017

Outro dia eu estava em uma doceria quando me deparei com a conversa de duas mães, aflitas com a tal da adaptação de seus pequenos tesouros. Fiquei ali parada, degustando um saboroso brigadeiro, enquanto decidi prestar atenção no que elas conversavam. Quanta angústia! Por alguns segundos tive vontade de me levantar e sentar à mesa delas, ouvir e pegá-las no colo, mas de repente, essa vontade passou e pensei nos pequenos tesouros que estavam passando por aquela “tortura”, assim denominada pelas mães. Olhei bem as duas crianças, que estavam radiantes, comendo docinhos enquanto corriam pela doceria, felizes. E fiquei pensando em ADAPTAÇÃO. A palavra-monstro para algumas pessoas. Foi então, que me lembrei de um papo que tive com uma amiga que está para colocar o filho na escola e sequer sabia que existia um momento chamado adaptação. A única preocupação dela era se o filho iria entrar na escola e chorar e o que ela tinha que fazer. E, mais uma vez então, pensei na quantidade de textos que já escrevi e li sobre o assunto; cheio de regrinhas, faça isso ou faça aquilo, dando a entender que esse momento tem uma receita perfeita a ser seguida… Triste ilusão! Mas, pera, eu não acho essa tal de adaptação um monstro não, desde que ela seja entendida e compreendida. Explico: você, adulto, quando muda de emprego, por exemplo, e vai para o seu primeiro dia de trabalho, não tem nenhuma dúvida sequer? Seja ela qual for: se tem estacionamento perto, como chegar até sua sala ou até mesmo como será recebido pelos parceiros de trabalho? Tem, não é mesmo? Sempre dá aquele friozinho na barriga! E quando muda de casa? Ou quando vai se casar e mudar de vida totalmente? Ou quando muda de cidade, de país? Você passa por um momento de adaptação, não passa? Mas você sabe que é só até as coisas se ajeitarem. E sabe por que você sabe isso? Porque é adulto e já passou ou, se não passou, outras pessoas te contaram sobre mudanças. Fora que você como adulto, sabe falar, conversar e pode confessar/ compartilhar algumas de suas inseguranças com seus amigos ou até quem sabe seu terapeuta!
Agora, vamos voltar às crianças. Quando elas entram na escola, seja com 1, 2, 3, 4 ou até 5 anos, elas estão mudando de ambiente, muitas vezes pela primeira vez em suas vidas. Imaginem como é difícil essa primeira vez. Imaginem como é pensar que sua mãe, até então a referência master de amor que você tem, te deixando na “cova dos leões”: um espaço grande (mesmo que seja uma escola pequena, será sempre grande para a criança em questão), com mais 8, 10, 14 outras crianças te olhando, dividindo a atenção de 1 ou 2 outros adultos, que você ainda não sabe, mas que serão os seus grandes vínculos neste espaço. Não é fácil. Exige um tempo, uma assimilação. A criança não entende ainda o porquê de estar lá. O que pode haver de positivo a separarem de sua mãe? Ela não sabe, mas nós adultos sabemos e muito bem. Ela nunca teve essa experiência e, muitas vezes, ainda não fala e o que ela conhece então? O choro! E começa a chorar como que pedindo socorro, me tirem daqui! Entretanto, não um me tirem daqui porque eu não gosto e sim, um “me expliquem, por favor, o que é que está acontecendo! Eu até estou achando tudo lindo, várias outras crianças da minha idade, mas eu não estou entendendo porque a minha mãezinha não pode ficar aqui!” E chora mais! Porque ninguém lhe explica o que está acontecendo e sim dizem: “fica e eu vou embora”! Ai que difícil se meus pais fizessem isso em várias situações da minha vida! Nem adulta eu suportaria!
Opa! Espera! Eu não disse para ninguém sair correndo da escola sem o filho ver para onde você foi! Jamais! Eu disse: conte ao seu filho o que é uma escola! Conte quantas histórias ele vai ouvir, criar e participar. Conte que as professoras vão gostar tanto deles que o maior objetivo delas e que eles sejam felizes! Conte que existirão dias que eles nem vão querer sair da escola! Conte, acima de tudo, que vocês o amam tanto e que esse amor é tão grande que vocês estão pagando essa escola para que ele aprenda muitas coisas, conheça muitos amigos e ame e sejam amados por outras pessoas e que se pudessem (tenho certeza) voltariam para esses anos áureos da escola, que não voltam nunca mais. E, então, digam: “Tchau, filho, mamãe vai trabalhar (que é bem mais chato) e nos encontramos no final do dia para compartilharmos suas aventuras!”
Adaptação não é um monstro! Adaptação é compreensão, respeito. Adaptação é aquele momento em que precisamos ser acolhidos, compreendidos para assim, sermos fortalecidos e seguirmos nossas vidas felizes, muito amados e amando muito.
E eu? Adoro uma adaptação! Ou melhor, falar sobre ela! Porque toda vez que eu tenho que me adaptar a alguma coisa, fico com muito medo, até que sou acolhida e tudo passa! E com os pequenos, não é diferente!

 

Texto de “Coisas de criança! Para elas, por elas”

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